segunda-feira, 2 de abril de 2012

Richard Strauss - Eine Alpensinfonie op. 64 - (Sonnenaufgang, Die Sonne verdüstert sich allmählich e Elegie)



         Richard Strauss (1864-1949) é um dos compositores mais comentados, estudados e "visitados" a pela sua orquestração, mesmo aqueles que não tem um repertório muito conhecido de sua obra, estuda alguns excertos e passagens que de perto, influenciaram muitos compositores, inclusive compositores para para cinema, devido a sua linguagem harmônica e sua complexa textura orquestral .
         Sua revisão ao tratado de H. Berlioz (1803-1869) "Grand traité d'instrumentation et d'orchestration modernes" realizado em 1904 (originalmente escrito em 1855) com a inclusão de muitos exemplos de Wagner além de instrumentos e técnicas possíveis aos seus dias. É um importante documento para entender e aprender como  pensavam os mestres com relação a questões e visões sobre as constantes decisões a serem tomadas no ato de orquestrar. Esse foi de fato, o primeiro livro (se tomarmos o original de Berlioz) a abordar a instrumentação e orquestração com tamanha atenção e possibilidades.
       Eine Alpensinfonie (Uma Sinfonia Alpina) op. 64 de 1915, foi o último poema sinfônico escrito por Strauss, desde Aus Italien (1886) e passando por Don Juan (1888), Macbeth (1888/90) Tod und Verklärung (1889) Till Eulenspiegels lustige Streiche (1895)Thus Spoke Zarathustra   (1896), Don Quixote (1897),  Ein Heldenleben (1898) e Symphonia Domestica (1904). No entanto, no período da composição da Alpensinfonie, Strauss concentrava-se na composição de óperas.
       A peça de nosso estudo, apesar de conter o nome "sinfonia" em seu título, é uma dividia em 22 seções contínuas que descreve as experiências que contam a partir do crepúsculo à pouco antes do anoitecer seguinte.  É considerada um dos poemas sinfônicos de Strauss menos tocados (apesar de a pouco tempo atrás a OSESPrealizou sob a regência do Maestro Frank Shipway) devido a seu grande número de músicos que são necessários para a realização da obra, cerca de 125, que são constituídos por: 



4 flautas (flautas 3 e 4 dobram piccolos)

3 oboés (oboe 3 dobra Corne-inglês)

Heckelphone

Clarinete em Mib

2 clarinetes em Sib

Clarinete Baixo (dobra clarinete em C)

 4 Fagotes (fagote 4 dobra Contrafagote)



8 Trompas (trompas 5-8 dobram tubas wagnerianas)

4 trompetes

4 trombones

2 tubas

12 trompas (offstage)

2 trompetes (offstage)

2 trombones (offstage)



Percussão ( 3 músicos):
                            Timpanos (2 músicos)
     Caixa
              Gran Cassa
      Pratos
          Triangulo
          Tam-tam
          Cowbells
                       Máquina de vento
                        Máquina de trovão
               Glockenspiel

Celesta
 Orgão

2 harpas
18 violinos I
16 violinos II  
12 violas
10 violoncelos
8 Contrabaixos

            Confesso que foi muito difícil escolher alguns trechos para colocar aqui no blog.  Eine Alpensinfonie possui inúmeros exemplos de orquestrações (entre outros aspectos) de um Richard Strauss maduro e com relativa diferença de outros poemas sinfônicos. Para quem se interessa, vale a pena estudar minuciosamente cada uma das seções (e suas relações), pois é o tipo de partitura que contêm muitos elementos da orquestração que podem ser reutilizados e aumentando assim sua habilidade de orquestração, bastando focar-se em como realizar este estudo. Esta orquestração está mais perto  (de termos de estruturação e ideias) de obras operísticas como Die Frau ohne Schatten (A mulher sem sombra) de 1915 ou até Elektra (1909). 
            O primeira excerto a ser analisado de Alpensinfonie, será  Sonnenaufgang (Nascer do sol) que é a II seção da peça. A análise será realizada dos números (de ensaio) 7 ao final de 8.


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Áudio - Excerto 1 - números 7 e 8




           O tema principal, exposto deste a seção anterior (Nacht) e que permeará por toda a obra simbolizando, ao meu ver, a própria montanha ou ainda o movimento do sol durante esta jornada. Aqui nesta seção o tema é apresentado pela primeira vez em fortíssimo simbolizando o nascer do sol, o amanhecer, uma vez que até então foi exposto como um "murmúrio" ou tomando uma certa liberdade poética, podendo relacionar-se com a "mistério da noite" dos alpes.
           Com relação aso elementos texturais desta orquestração, o foreground (ou o primeiro plano) é bem claro e está presente durante todo o número 7, bem como outros elementos  da textura, podendo ser organizada da seguinte maneira: (foreground) - elemento A - piccolo + flautas +  oboés + clarinete em Mib + clarinetes em Sib + I trompete em do Até compasso 4 de 7) e I trompete em Sib (a partir de 7) + glockenspiel +  violinos I e II +  violas; background - elemento B: heckelphone + clarinete baixo + fagotes + trompetes (exceto os do foreground) + trombones + tuba + tímpanos + pratos + violoncelos+ contrabaixos. Este tipo de textura (com muitas dobras) funciona muito  funciona muito bem quando você usa uma textura homofônica de melodia acompanhada e deseja que soe como R.Wagner, que utilizava e muito, este tipo de textura, podendo ser demarcada como uma marca registrada de seus prelúdios. As notas longas nos metais, fagotes e cordas (neste caso em trêmulo) funcionam como uma sustentação dos acordes a semelhança de um órgão, uma textura também bastante utilizada  por Anton Bruckner (1824-1896) em suas Sinfonias.
            A partir do número 8, o tema é apresentado agora pelas trompas (foreground) quanto que o middlegound é composto por dois elementos, elemento A ( do middleground): I violinos +  flautas + I oboé + clarinetes, elemento B: clarinete baixo + fagote + violas+ cellos. Esses dois elementos realizam um contraponto imitativo (quanto ao ritmo) que deixa a textura mais densa e no final desta seção esses elementos ganham dobras instrumentais. Realizando o background: contrafagote + III e IV trombone + contrabaixos
           Strauss realiza muito este tipo de textura composta, por isso suas peças por vezes são complexas quanto a orquestração: cada um dos planos possui mais de um elemento constitutivo, assim se dividirmos esta textura, conseguimos entender ( e realizar da mesma maneira!) este tipo de orquestração.

          No próximo excerto, esta a seção XVI chamada de Die Sonne verdüstert sich allmählich (O sol escurece gradualmente) o mesmo tema aparece em textura muito diferente se comparada ao excerto anterior.

Áudio - Excerto 2A - número 98



             Nesta seção, a partir do número 98,  a textura  pode ser dividida em:
Compassos 1 e 2 (foreground) - elemento A: I violinos em divisi com surdina + órgão; (background) - elemento B: oboés + corne-inglês + II violinos. 
Compassos 3 e 4 : (foreground) - elemento A: I violinos + flautas I e II; (middleground) - elemento B: flautas III e IV + clarinetes + I fagote + violas; (background); elemento C: II violinos + 2 trompas.
Compassos 5 e 6 : (foreground) - elemento A: I violinos + II violino solo (sem surdina) + órgão; (middleground) - elemento B: flautas III e IV + oboés + corne-inglês + clarinetes + violas (3 soli); (background); elemento C: trompetes + II violinos (com surdina e com trêmulo).
Compassos 7 e 8 : (foreground) - elemento A: oboés + clarinete em Mib + I e II trompas ;  (background)  - elemento B:  trompetes + flautas I e II + II violinos (com surdina e com trêmulo) + corne-inglês  + violinos I e II + violas (3 soli).
            

                  Áudio - Excerto 2b  - número 99



                A partir do número 99,  a textura  pode ser dividida em:
Compassos 1 e 2 (foreground) - elemento A: clarinete em Mib + clarinetes + clarinete baixo + fagotes; (middleground) - elemento B: I violinos + cellos + violas ;(background) - elemento C: flauta I e II + oboés +  II violino solo (sem surdina) + órgão.
Compassos 3 a 6 (foreground) - elemento A: III flauta + I fagote + órgão;  (background)  - elemento B: I e II flauta + oboés + III trompete + II violinos (trêmulo) + violas (trêmulo e 3 soli).
Compassos 7 a 10 (foreground) - elemento A: I oboé + corne-inglês + clarinete em Mib + I trompa clarinetes + clarinete baixo + fagotes;  (background)  - elemento B:  I, II e III flautas + clarinetes + clarinete-baixo +  I e II trompetes  + III e IVtrompas  + órgão.
                  Esta seção, apesar de ser curta, apresenta uma intrínseca escolha de timbres que para entedê-la por completo, é necessário também uma análise harmônica e dos materiais que estão presentes no trecho.

                O próximo excerto, Elegie (apenas o número 100) mostra como é "poderoso" o timbre em uníssono das cordas com surdina (uníssono orquestral, que de fato: I e II violinos + violas + cellos, cada um em uma oitava). O material principal está nas cordas (foreground) quando que há intervenções da seção das madeiras (middleground) e o apoio harmônico do órgão (background).

 Áudio - Excerto 3  



            Haverão muitas análises de Strauss aqui no blog! Suas partituras contêm muitas coisas para serem estudadas e comentadas.
            Já sabem, fiquem à vontade em perguntar, sugerir e criticar sobre as peças aqui colocadas.      
       

Espero que tenham gostado!


Abraços,



2 comentários:

  1. Obrigado, maestro!

    Vc tem o score de “Don Juan“ ?

    abrass,

    Alex

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    Respostas
    1. Tenho, mas você consegue gratuitamente no imslp.org

      Abração!

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